sexta-feira, 22 de maio de 2015

introdução:
                              "Meu Amigo Diferente é Especial"
Este blog foi criado por solicitação da faculdade Anhanguera Roseira.Onde serão postados desenhos feitos por crianças de 8 a 10 anos e uma entrevista com uma professora que trabalha com inclusão social.


Entrevista:       

 Nossa entrevistada é a professora Marineide Carvalho, coordenadora de Educação Inclusiva Possui graduação em Pedagogia, graduação em Letras, especialização em leitura e produção de texto, especialização em Educação Especial Inclusiva e especialização em Atendimento Educacional Especial.


* Como se deu o seu início como professora de alunos com deficiência?
O primeiro contato com estudante com deficiência foi com um aluno surdo. Ele ia para a minha sala antes ou depois do atendimento educacional especializado, ele tinha um primo que estudava comigo. Quando eu o via fazia quase um teatro pra estabelecer a comunicação, ele ria muito de mim, mas a lembrança mais forte, foi a de que eu queria falar com aquele aluno, queria entendê-lo, queria saber o que ele achava da minha aula nos poucos minutos que estava comigo. Nessa escola tinha uma turma com alunos com deficiência, uma turma Especial e mais três outras turmas, não lembro quais as séries. E eu disse "quero a turma de educação especial", e as pessoas me perguntavam "você tem experiência?", você já trabalhou com esse tipo de aluno? Eu disse para coordenadora na época, muito rigorosa na seleção daqueles que iriam trabalhar com os alunos com deficiência, "eu tenho a experiência de um estágio na APAE, ela me perguntou o período e naquele momento, eu senti que ela ia dizer que eu não podia, então já respondi o período que foi de apenas um mês, com um "eu quero muito ficar com essa turma". Iniciei com 5 alunos com deficiência Intelectual e duas alunas com baixa-visão, uma delas com diagnóstico de perda progressiva da visão, com indicativo para o uso do Sistema de Escrita Braille). Eu estava pronta para aprender. Não pedi uma chance para ensinar, pedi uma oportunidade para aprender e sou muito grata por isso.

*Cite um momento de grande dificuldade e ou outro bem marcante, na sua trajetória como professora.
O momento de maior dificuldade foi quando precisei ensinar Braille e não sabia nada desse sistema de leitura. As meninas estavam ali comigo e precisavam participar da aula. Texturizar a atividade, explicar muito bem e fazer as atividades oralmente já não satisfaziam a minha aluna de maior perda visual, pois ela queria produzir sua escrita, e como todo escritor, queria analisar o que ela mesma tinha posto no papel. Na mesma época eu estava cursando a minha segunda graduação e por providência divina, foi oferecida educação especial, disciplina que eu cursei em Pedagogia, mas quis cursar outra vez para ajudar as meninas e a mim mesma. Para minha sorte, a professora que iria ministrar a disciplina era especialista em deficiência visual. Então, eu estudava e aplicava o que aprendia simultaneamente nas meninas. Uma situação engraçada que eu não posso deixar de citar é que eu tinha uma estratégia de ensinar o Braille às alunas fazendo ditados, corrigindo a escrita delas sem nenhuma guia, para poder forçar a minha memorização dos pontos, mesmo estando aprendendo também. Entretanto, certo dia, já cansada no final da aula, eu não conseguia identificar uma palavra que a aluna tinha escrito e trapaceei (segredo que estou contando só a vocês), eu disse a minha aluna: "quero saber se você realmente aprendeu, quais são os pontos da letra F?". Ela respondeu, eu senti segurança na resposta dela, era muito aplicada, e eu completei a atividade, com o sentimento de que muito ainda precisava buscar.
*Houve alguma mudança importante na sua vida pessoal ou profissional, a partir dessa experiência com alunos com deficiência?
Todas as mudanças possíveis e imagináveis. Eu era professora de sala especial em Guaratinguetá e professora de um quarto ano em Aparecida imagine o que estas duas realidades me proporcionavam de trocas. Foi um divisor de águas, antes eu tinha o desejo de ser professora e após a minha sala especial, eu sabia que era professora. Eles me ensinaram ver, enxergar o aluno por completo, me ensinaram a identificar potenciais, a trabalhar de várias maneiras, a enfrentar dificuldades. A verdade é que eles me fizeram professora.
*Desde 2009 você coordena a área de Educação Inclusiva. Fale sobre a atribuição desse órgão e de alguns avanços nos últimos anos.
Quando aceitei o convite, um pouco relutante, feito pelos secretários, eu como toda e qualquer pessoa que assume algo novo, ansiava por transformações, acreditava e acredito nas parcerias intersetoriais, e com o apoio das secretarias de Educação e de Acessibilidade, pensava que tudo ia ser mais fácil. Avalio que foram grandes as conquistas, mas a maior conquista foi ter trazido para compor a equipe, pessoas das quais eu conhecia o trabalho, admirava, e sabia que iam me ajudar muito nessa estruturação. A maior contribuição que elas me deram, dentre tantas, foi a de me lembrar sempre que antes de mim, muito já tinha sido feito, e que respeitar as conquistas anteriores era a melhor forma para outras conquistas, sendo importante para a minha maturidade. 
*Qual é a participação dos pais dos alunos com deficiência, no atendimento, no acompanhamento?
Divergências extremas. Existe a família que coopera, orienta sobre seu filho, e existe a família de luto que não aceita e que se sente agredida quando a escola exige a participação. Precisamos ter bom senso para ajudá-las a nos ajudar.
*Em sua opinião qual é a posição que deve ter um professor de classe regular quando este estiver inserido um aluno com deficiência?
Primeiramente acredito que os professores devem reconhecer e importar-se com esses alunos. Procurando sempre a melhor maneira de interagir com estes e demais alunos.

* Qual a sua mensagem para nossos leitores, sobre a inclusão social e educacional?
Inclusão social ou educacional é uma atitude frente ao outro. Se você respeita o outro, você inclui. Se você enxerga no outro você, sabe incluir. E incluir é o Princípio cristão de amar o próximo como a ti mesmo.



Meu nome é Breno, tenho 8 anos estou no 3º ano, na minha sala tem um amiguinho “especial”, o nome dele é Felipe e ele tem 9 anos, ele é diferente, pois precisa de uma cadeira de rodas para andar. Nos conhecemos na escola, onde ele sempre precisava de ajuda para ir ao pátio ou na quadra. Todos sempre querem ajudar. Gosto muito dele, todos na sala de aula querem sentar ao seu lado, ele é muito legal.


Lucas tem 9 anos, está no 4º ano do ensino fundamental, conheceu seu amigo José Miguel na escola e quando percebeu que seu colega era deficiente visual foi logo se prontificando para ajudar. Sua deficiência o tornou um amigo especial. Lucas gosta muito da companhia do amigo.




Este desenho foi feito pelo aluno Pedro de 10 anos, em sua sala tem um aluno com deficiência física. Eles se conheceram na escola, no primeiro momento, ele ficou assustado com a deficiência do amigo, mas logo foi entendo que o amigo era capaz de fazer as mesmas coisas que ele sem se importar com sua deficiência. Hoje são grandes amigos e partilham juntos as atividades do cotidiano.